Arquivo X: bem antes das redes sociais, a informação estava lá fora!

Em um texto anterior aqui no nosso blog, escrevi um pouco sobre algumas das dificuldades em conseguir seguir sua série ou anime favoritos nos anos 90. No post de hoje, vou fazer alguns comentários muito específicos sobre um grupo de compartilhamento de episódios de Arquivo X. Eu tinha prometido que contaria essa história e explicaria o como isso funcionava algum dia, e esse dia é hoje.

Mesmo quem não assistiu deve conhecer essa lendária série, que criou tendências e ditou regras sobre como fazer seriados de sucesso que são seguidas até hoje. Arquivo X foi algo enorme em sua época!

Além dos carismáticos e icônicos personagens que a série apresentou ao longo de suas temporadas, Arquivo X foi o primeiro seriado a trazer não somente um caso com começo, meio e fim por episódio, mas também possuía uma história por trás disso, que amarrava tudo e que realmente era o que instigava o espectador a acompanhá-la semanalmente.

Assim como, basicamente, todas as importantes séries norte-americanas dos anos 90, para acompanhar regularmente Arquivo X, era necessário possuir TV por assinatura. Em específico para esse seriado, aqui no Brasil era preciso ter o canal FOX.

Infelizmente, a ‘TV a cabo’, como era chamada na época, era algo muito caro e, portanto, não acessível. Ainda assim, as histórias contadas por quem podia acompanhar a série eram muito atraentes para deixar para lá qualquer tipo de oportunidade de assistí-la.

Como não existiam as facilidades de hoje para gravação e divulgação de material de vídeo, o que dava para fazer era gravar um episódio em uma fita cassete. E, graças ao boca a boca e às revistas especializadas, o interesse por essa série foi crescendo ao ponto de fazer surgir algo absolutamente inacreditável: um sistema de compartilhamento de fitas cassete com episódios gravados, a nível nacional.

Não tenho certeza sobre como a ideia surgiu e como ela se difundiu, pois eu mesmo fiquei sabendo dessa iniciativa por meio de um amigo, mas participava do grupo de bom grado até o final da série (antes deste último retorno, no caso).

Semanalmente, todas as terças-feiras à noite, se minha memória não me engana, quem tinha o canal FOX (eu era um deles) – e um videocassete – gravava o episódio. Não havia regra que exigisse remover os comerciais, mas era de consenso que as gravações deveriam ser realizadas na mais alta qualidade possível.

Após a gravação realizada, eu enviava a fita para um outro fã, via Correios. Isso mesmo, eu saía no outro dia de onde eu morava, ia até uma agência dos Correios e enviava a fita para que outro apaixonado por Arquivo X, que não tinha o canal FOX, pudesse acompanhar quase que em tempo real a série.

Enquanto a fita se dirigia até a pessoa, ela já havia enviado para mim a fita da semana passada. Como dependíamos única e exclusivamente dos Correios para os envios, não se podia confiar em usar somente uma fita para todo o processo. Na verdade, usualmente eram três fitas que eu usava num sistema de rodízio, para que não houvessem problemas.

O valor das fitas e dos envios era de responsabilidade da pessoa que não possuía o canal e que iria assistir os episódios pelas gravações.

Agora imagine fazer isso durante todos os nove anos em que Arquivo X ficou no ar. Nove anos nesse mesmo ciclo a cada nova temporada. Imagine o valor e tempo gastos para que pudéssemos compartilhar e curtir juntos, mesmo que em localidades tão distantes, de uma mesma paixão. Mas essa era a parte mais mágica de todo esse processo: fazer parte de um grupo de pessoas que compartilhavam do mesmo amor por algo que você.

Junto aos envios e recebimentos das fitas, mandávamos cartas comentando e conversando sobre os acontecimentos do episódio e da série como um todo. Mesmo sem a “modinha” de hoje, a regra era clara: sem spoilers, mesmo que esse termo não existisse naquela época.

Eu mesmo me comunicava com três pessoas diferentes nesse processo. Eu gravava a fita para uma pessoa, mas outras duas pessoas assistiam a série junto com ele, então conversávamos todos via cartas.

Percebem o poder disso? Apesar de todas as dificuldades da época, conseguíamos compartilhar nossa paixão por Arquivo X e cultivar novas amizades. Esse processo em minha vida foi basicamente meu precursor do MSN Messenger e das redes sociais.

Possivelmente outras iniciativas dessas devem ter rolado com outras séries e afins, mas eu não cheguei a conhecer e, por consequência, não participar de nenhuma delas.

Espero que tenham curtido esse texto, que conta um pedacinho bem pessoal daquilo que considero um período importantíssimo na difusão da cultura pop em nosso país.

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