Como assistíamos animes e séries nos anos 90?

Não sei ao certo qual é a faixa etária média dos leitores aqui no blog, entretanto de uma coisa eu tenho certeza: todos são apaixonados por alguma vertente do universo da cultura pop.

Considerando que a galera anda, cada vez mais cedo, encontrando seu “nerd interior” e o exteriorizando, acredito que boa parte de quem lê esse texto agora já teve seus primeiros contatos com games, séries, filmes e afins em um momento em que a internet já estava relativamente difundida no Brasil.

Me arrisco a dizer que boa parte de vocês não chegou a conhecer internet discada, já começando seu mundo de navegador digital na era da banda larga.

Ao contrário de muito velho resmungão da internet, não estou aqui para criticar quem já começou a abraçar a cultura pop em um momento em que tudo é tão fácil, prático e acessível. Afinal de contas, quem não gosta das praticidades que a revolução digital trouxe?

Esse texto serve para mostrar um pouquinho das dificuldades de tentar acompanhar algumas das nossas paixões em um período em que no nosso país a internet ainda estava engatinhando, basicamente inexistente.

Vamos conhecer um pouquinho do passado.

Vou focar aqui em duas de minhas maiores paixões: séries e animes. Há muito mais assunto para abordar nessa relação de antes e depois, mas vou me ater a abordar apenas no aqui mencionado, ou caso contrário esse texto ficaria gigantesco.

No caso desse tema agradar, mais textos assim surgirão por aqui.

Atualmente, com a tecnologia de streams aliada à acessibilidade de conexão à internet em alta velocidade, acompanhar nossas séries e animes favoritos, bem como nos manter informados e atualizados acerca do universo do entretenimento eletrônico, é algo trivial. Estamos sempre a poucos cliques daquilo que desejamos.

Tais facilidades não somente garantem a possibilidade de acompanharmos em tempo real nossas séries, animes e afins, como também permitem uma alta flexibilidade de nos programarmos para tal.

Acompanhar tais conteúdos não comprometem nossos horários e compromissos, pelo contrário, eles se flexibilizam de acordo com a nossa necessidade.

Agora, vamos voltar um pouco no tempo, para os gloriosos anos 90. Um período em que a maioria das famílias sequer possuía um computador em casa.

Reparem no valor desse danadão da IBM!

Somente ao final dessa década a internet discada deu o ar de sua graça por aqui. A taxa de download da época era algo em torno de 5Kb/s e, assim sendo, é desnecessário dizer que sistemas de stream sequer sonhavam em existir, bem como uma plataforma como o YouTube.

Só era pensável o acesso à internet após a meia noite em dias de semana, pois a conexão gastava telefone fixo e o valor por minuto de consumo era astronômico.

Quem aí pensou que a única forma viável de acompanhar um seriado era programar todo o seu dia em torno do horário em que o episódio seria transmitido na televisão, acertou. A não ser que você fosse um feliz proprietário de um vídeo cassete que permitisse programar data e hora para gravar a transmissão do canal desejado em uma fita VHS. Não havia outra forma de assistir seus seriados que não fosse se submeter ao horário da exibição.

Detalhe importante: se alguém eliminasse a programação do vídeo cassete, se faltasse energia em casa, se alguém se esquecesse de colocar a fita VHS no vídeo cassete previamente ou mesmo removesse a fita do aparelho, a gravação não aconteceria e você perderia o episódio caso ele não o fosse retransmitido em outro momento.

Além de se estar preso aos dias da semana e horários de transmissão, quais seriados acompanhar também não estava completamente em nossas mãos. Como não havia uma boa troca de informações globais, não tínhamos acesso em tempo real a quais séries estavam rolando fora do Brasil. Mesmo que tivéssemos, se não houvesse a transmissão delas em algum canal brasileiro, seja ele aberto ou por assinatura, não conseguiríamos acompanhá-las.

Fitas VHS: Chegou a conhecer uma dessas?

O único recurso para conhecer conteúdo que ainda não tinha chegado no país residia nas famosas antenas parabólicas, que possibilitavam assistir alguns canais estrangeiros. Infelizmente, o sinal desses canais chegava somente em sua língua natal e sua maioria esmagadora (para não dizer todos) não possuíam legendas.

Resumindo a história: se sua série favorita era transmitida somente sexta-feira feira, às 22 horas, você tinha de escolher entre sair com os amigos ou assistir o episódio exibido.

Os problemas para acompanhar animes eram similares, com a grande diferença sendo os horários de transmissão. Usualmente, eles pegavam os horários em que estávamos trabalhando ou estudando.

Os horários de transmissão na TV aberta, usualmente, eram pela manhã, com exceção da Rede Manchete, que transmitia seus principais animes no final da tarde.

Já nos canais de TV por assinatura focados em programação infantil (saudades eternas da Fox Kids), os horários eram mais generosos, mas os principais animes passavam pela manhã e no fim da tarde.

Retransmissão de animes eram muito raros e quando aconteciam eram normalmente aos sábados à tarde e somente nos canais fechados. Canais de TV aberta aos finais de semana, naquela época, assim como hoje, possuem programação específica e não têm espaço para isso em sua grade.

Um canal que se foi e deixou muitas saudades.

Haviam pessoas entusiasmadas em tentar fazer o download de conteúdo aos finais de semana e às madrugadas dos dias de semana. Esse era um processo lento e muito passivo de problemas de conexão. Por certo isso não era completamente viável.

Os fãs mais ferrenhos de alguma série ou anime ainda tentavam divulgá-la via gravação dos episódios em fitas VHS e fazendo seu envio pelos correios. O processo demandava muito tempo, dinheiro e paixão pelo conteúdo, mas gerava amizades verdadeiras.

Eu mesmo participei de um grupo desses por anos, focado na série Arquivo X. Um dia eu conto melhor essa história…

Quando sua internet ficar instável, o Netflix ou o Crunchyroll estiverem fora do ar por alguns instantes ou mesmo se o seu fansub favorito atrasar o release semanal daquele anime especial, lembre-se de que houve um período em que os entusiastas dessa cultura não tinham opções e tinham de rebolar bonito para acompanharem seus programas favoritos.

Há muito o que contar acerca de o como nos mantínhamos informados e atualizados sobre nossas “nerdisses” nos anos 90. Muitas histórias de fliperama, cinema e encontros para jogatinas de RPGs de mesa.

Caso se interessem por tais pautas, ou desejem sugerir assuntos em específico para futuros textos, sugiram aqui nos comentários. Aproveitem também para nos acompanhar no Facebook e no Instagram e saber mais sobre nosso trabalho no mercado de cultura pop.

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