Em defesa ao espectador de eSports

O termo eSport é uma abreviação a expressão “Eletronic Sports” e significa exatamente o que a tradução sugere: Esportes Eletrônicos. Seu expressivo pontapé oficial ocorreu na Coreia do Sul, em campeonatos realizados de games de estratégia em tempo real. Daí, em relativamente pouco tempo, o eSport tomou para si o mundo.

Atualmente o eSport é extremamente eclético no que cerne aos gêneros de jogos em que as competições ocorrem. Os carros chefes com certeza são os MOBAS, liderados por League of Legends e DOTA, os First Person Shooters, encabeçados por Counter Strike: Global Offensive, e os jogos de estratégia em tempo real, liderados por Starcraft 2.

Apear de os acima citados serem os mais conhecidos, assim como os que possuem mais visualizações em transmissões, maiores valores em dinheiro em competição e maiores patrocínios em seus eventos, outros gêneros de jogos possuem suas próprias comunidades competitivas e seus fãs ardorosos. Um exemplo de um gênero de jogo em franca ascendência em popularidade no cenário do eSport é o Fighting Game, tendo em Street Fighter seu máximo expoente.

Competições dos jogos mais populares de eSport chegam a possuir mais espectadores, entre streams ao vivo e transmissões televisivas, do que grandes eventos esportivos tradicionais.

Mesmo com isso tudo, e considerando que o texto até aqui foi extremamente sintético acerca de várias questões, os entusiastas do eSports ainda se deparam com certas questões no mínimo chatas. A mais comum se foca em como ser possível uma pessoa “perder tempo” assistindo competições “de um joguinho”, seguida de o como um entusiasta do eSport pode se tornar fã de um jogador profissional, afinal de contas, “é só uma pessoa jogando”.

Tudo o exposto no parágrafo acima se mistura com a máxima de que eSport não é esporte de verdade. Usualmente tal hipérbole nunca vêm com algo que a explique, sendo apenas jogada no ar, dando a impressão de que quem a profere ache que tal máxima é algo tão óbvio e verdadeiro que não precisa de complemento.

Com isso em vista, exponho alguns contrapontos.

Normalmente a palavra esporte é associada imediatamente à prática de algum tipo de atividade que demande alto índice de esforço físico, mas tal associação não é correta. Eu sequer preciso me utilizar de conceitos específicos para deixar isso claro, me basta citar que o Xadrez é considerado um esporte.

No caso do Xadrez, ele é reconhecido como um esporte por possuir qualidades competitivas, ou seja, um jogador pode se dedicar para alcançar níveis de rendimento altíssimo no jogo. Mesmo que ele não demande esforço físico, exige prática e um esforço mental acima do comum.

Qualquer gamer que já tentou estudar a contento qualquer jogo eletrônico que faça parte do hall dos jogos competitivos com certeza pôde perceber o quanto de esforço mental, conhecimento das regras do jogo, velocidade de raciocínio, reflexos, entre outros, são exigidos de um jogador para que ele pense pleitear em ser um jogador de alto nível.

Fazendo um paralelo com o Xadrez, um jogo eletrônico competitivo possui basicamente as mesmas exigências. Assim sendo, porquê considerar um apto a ser esporte e o outro não? Não faz sentido.

Quanto a não compreensão sobre um entusiasta de eSports ser fã de um jogador (ou equipe) e acompanhar competições de eSport com afinco, só existe uma possível conclusão lógica: essa pessoa não gosta e não acompanha nenhum tipo de esporte, porquê se sim, ela está se contradizendo.

Seguindo o raciocínio dessa pessoa, é inadmissível que se idolatre alguém só por ele ser muito bom naquilo que ele faz e é um absurdo perder tempo apenas assistindo um monte de outras pessoas fazerem algo que você mesmo podia estar fazendo.

Digamos que quem possui esse raciocínio seja um apaixonado por futebol. Uma pessoa que não perde sequer um jogo da UEFA Champions League, porque torce fervorosamente pelo PSG e é fã incondicional do Neymar.

Há de se concordar que essa pessoa está fazendo exatamente a mesma coisa que um fã do Daigo Umehara, que não perde nenhuma Capcom Cup por adorar Fighting Games, faz. Ambos estão deixando de jogar o que gostam, para assistir outras pessoas jogando e são fãs de alguém muito bom naquilo que faz.

O atrativo do eSport é exatamente o mesmo atrativo do esporte convencional. São os mesmos apelos, são os mesmos sonhos e prazeres que o fã de um e de outro sentem ao acompanhar de perto suas paixões. Não faz sentido criticar alguém por assistir as finais da EVO do campeonato de Street Fighter V, ou estar ansiosamente aguardando o próximo campeonato de League of Legends, enquanto aguarda a madrugada toda para acompanhar uma luta de UFC que potencialmente pode não durar nem um minuto.

E quer saber de uma coisa: As finais da EVO são muito mais emocionantes!

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