A história da Agência Joystick

Acho que todo mundo já sonhou em trabalhar com algo que ama. Pessoas que gostariam de construir prédios, serem atores, médicos, etc. Para todas estas profissões, existem cursos, escolas ou qualquer tipo de orientação profissional. Mas, e quando, um sujeito que nasceu nos anos 80, quer trabalhar com videogames? Naquela época, pensar em algo desse tipo era tão viável quanto pensar em morar na lua (E sendo bem sincero, morar na lua parecia ser mais possível).

E, não faltavam razões para desacreditar desse sonho. É só pensarmos em como era o mercado naquela época, no dinheiro que ele movimentava e a visão que os mais velhos tinham dele. Pense na reação dos seus pais, 30 anos atrás, se você dissesse: “Pai, mãe, quero trabalhar com videogame!”. Ou era uma gargalhada ou uma semana de castigo para pensar na besteira que estava falando.

Imagem do primeiro Final Fight lançado!

Mas não podemos culpá-los, né? Se o Brasil não conseguia controlar a inflação de um dia para o outro, como poderia sequer pensar em ser relevante em um mercado tão dinâmico?

O tempo foi passando e o sonho tão impossível – e distante – foi ficando um pouco mais possível. O país começou a ganhar relevância devido ao aumento do consumo e as distribuidoras de jogos começaram a voltar sua atenção para cá.

A faculdade de TI não me deixava muito feliz, mesmo que minha intenção fosse apenas fazer um curso para “passar o tempo”, enquanto pensava em outras possibilidades de carreira para abraçar. E eu pensei… pensei… pensei… pensei e pensei mais um pouco para não chegar a conclusão alguma. E já que já estava empregado e bem alocado na área da informática, não achava que alguma grande mudança fosse acontecer.

Mas tudo mudou. Com a chegada da geração PlayStation 3 e Xbox 360 e o acesso a internet, a história da Agência Joystick começava a ser traçada.

Playstation 3 e Xbox 360

Sou um cara muito competitivo e jogar online era uma das minhas maiores diversões. E foi em Gran Turismo 5 que o meu primeiro contato ativo em uma comunidade prosperou. Todos queriam participar de competições mas não existia, ainda, uma empresa que organizasse isso de maneira, no mínimo, aceitável. Foi então que eu – com meu jeito metódico de ser – tive a ideia de fazer disso uma ocupação. Comecei a organizar competições entre os participantes de fóruns com prêmios, regras e tudo que um campeonato profissional precisava para acontecer. Foram bons tempos!

A notícia de que um cara sabia fazer isso se espalhou pela internet. Outros fóruns começaram a pedir competições de outros jogos como Street Fighter IV, Killzone, FIFA, PES e a coisa começou a fugir do controle. A Game Champz nasceu! Meu primeiro site para organizar competições estava lá. Ainda Beta, mas estávamos online.

E, esse era o problema: não dava para ficarmos apenas online! Enquanto assistia a mais uma final do EVO, tive a ideia de fazer o mesmo por aqui. Por que não? Era possível montar uma estrutura parecida com aquela, mas envolvendo uma feira de games que fizesse com que as pessoas pudessem fazer mais do que apenas visitar estandes e gastar dinheiro.

Mas eu precisava de ajuda. E foi aí que conheci meu sócio, o Milton. A história do camarada era muito parecida com a minha. A empatia foi imediata!

Começamos a trabalhar nessa ideia maluca e em como ela poderia acontecer. E em 2013, organizamos a Game Champz Arena, um evento totalmente independente que teve de tudo: fliperamas, apresentação musical, concurso cosplay, estandes e, claro, campeonatos de videogames!

A realização de um sonho estava acontecendo! Em determinado momento, não consegui conter a emoção e, discretamente, chorei no colo da minha mulher e nem conseguia explicar por quê. Estava apenas feliz e realizado!

Mas aí surgiu um novo problema: como sustentar o interesse de todos até o próximo evento? Um site de notícias de games e competições, é claro! Foi aí que a nossa equipe cresceu! Tínhamos podcasts, promoções, premiações e um fórum. O sonho estava se realizando, mesmo sem ninguém receber nada para isso.

Mas como diz o maior mantra do futebol brasileiro: “Quem não faz, toma!”.

Minha experiência na área executiva praticamente não existia e, com o passar do tempo, grandes empresas chegaram com a ideia de fazer as tais competições se tornarem mais visíveis e rentáveis. Não tivemos nenhuma chance contra eles e seus milhares de reais em investimentos.

A Game Champz estava morta, mas o sonho não! Dentro de mim havia algo que precisava ser alimentado, precisava ser saciado. Eu não não estava satisfeito com tudo isso e não ia me dar por vencido.

Graças aos contatos que fiz naquela época, nossa equipe começou a ser chamada pelas distribuidoras para trabalhar em eventos como Brasil Game Show, Comic Con, Campus Party: “Por que nós”? – Eu perguntava. “Por que vocês entendem do assunto!” – Diziam eles.

Foi então que tive um insight dos bons. Por que não reunir uma equipe que entende do assunto e entrega o melhor serviço de staff para estas empresas? E foi dessa pergunta que nasceu a Agência Joystick.

Inicialmente a ideia era apenas coordenar pessoas especializadas para trabalhar com casting e promoções. Mas como eu não queria cometer o mesmo erro duas vezes, resolvi estudar o mercado e aprendi a ser executivo. Nisso, criamos outros serviços que traziam tudo que um cliente precisava para ter uma ação incrível. Não queríamos que os visitantes passassem pelos estandes e ficassem sem entender o que estava acontecendo. Queríamos trazer o melhor engajamento, a melhor imersão e a melhor experiência de marca.

E foi assim que conquistamos clientes gigantes do mercado de games, cinema e outras áreas. Abrimos nosso escritório, construímos um ateliêr e contratamos profissionais experientes! Além de casting especializado, produzimos cosplays e fazemos cenografia. Tudo isso utilizando material de qualidade e cosmakers renomados.

O nosso grande diferencial não é a nossa estrutura, ou nossa ideia de negócio, é o amor em trabalhar nesse setor, se entregando a cada ação e colocando nossos corações em cada detalhe!

Nossa empresa cresceu e apareceu, mas ainda estamos muito longe de estar onde queremos.

Kratos, Atreus, Playstation, Agência Joystick, God of War, Comic Con, CCXP

Apenas um pedacinho da nossa equipe.

O sonho apenas começou! 😉

Rafael Bizzi Moraes

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