Histórias de um otaku: lendas de uma nova era!

Toda grande paixão, seja por algo ou alguém, tem um começo. Aquele momento que acende a faísca de um sentimento duradouro e que, possivelmente, vai deixar marcas na nossa formação pessoal.

Hoje, eu venho até aqui apenas para compartilhar com vocês uma história. Contar sobre o momento que me fez abraçar uma das minhas grandes paixões no mundo da cultura pop: animes.

Minha história começa em 1994, eu ainda estava no colégio e ia para a escola de segunda a sexta-feira, no período da tarde. Normalmente, chegava em casa por volta das 17:30h e ia direto comer um lanche e fazer a lição de casa.

Eis que em uma data muito especial, a professora não tinha deixado lição para casa, então assim que eu lanchei e tomei um belo de um banho, fui fazer uma das poucas coisas que me era possível naquela época: assistir canais abertos da televisão.

Sem grandes pretensões, zapeei os poucos canais para ver se estava passando algo. Estava quase desistindo e ligando meu videogame, quando me deparei com algo que marcaria a minha vida e abriria em definitivo as portas para animação japonesa.

Vi na tela um cenário em que várias pessoas, trajadas de maneira inusitada para meus padrões, estavam assistindo a algo. O cenário era rochoso e havia clara torcida para alguém chamado Cássius.

A cena muda e vejo que na verdade existem dois homens lutando. Vejo que um dos lutadores, que aliás era gigantesco, segura seu adversário fora do chão como se fosse um brinquedo.

Após alguns insultos, esse gigantesco lutador (que eu logo descobri que se tratava do tal do Cássius) se vangloria da vitória aparente e fala que iria saborear aquele momento arrancando a orelha do oponente.

Mas querem saber o que realmente explodiu a minha cabeça? Eu, em 1994 na TV aberta, vi uma orelha decepada no chão. Supostamente, o tal do Cássius tinha cumprido o prometido.

Mas espere! A cena passa a focar no homem que enfrentava Cassius, voltando para o chão, e eis que descubro que ele não tinha perdido nenhuma orelha. Ele estava com uma feição de triunfo e o brutamontes, sim, estava sem uma das orelhas.

De alguma maneira, pois o próprio desenho não havia explicado ou mostrado isso, a situação se inverteu. Mesmo sem a devida explicação, a composição da cena, aliada ao trabalho de áudio, fez dessa “virada de jogo” um dos momentos mais marcantes e “badass” dos quais eu me lembro na vida.

O episódio se segue. Após o ocorrido na luta, duas mulheres mascaradas conversam entre si, ponderando tudo. Elas parecem ser pessoas obviamente mais importantes ali, até porque ambas eram as respectivas mestres de Cassius e do outro, de nome Seiya.

Isso foi uma quebra de paradigma para mim, pois até então sempre que eu assistia algum filme de artes marciais, mulheres jamais eram colocadas como ícones de poder, mas eis que naquele desenho ficava claro que aquelas duas eram os seres mais poderosos ali presentes.  

O episódio continuou e, pela primeira vez, ouvi – e vi algo – que definiria o início da minha paixão, não somente por aquele desenho japonês maluco, mas também por animes em geral. A cena era Seiya, elevando um poder que eu conheceria muito bem por nome e definição em um futuro bem próximo, soltando um “poder” em Cassius e invocando o nome desse ataque: “Meteoro de Pégaso”.

Para minha grata surpresa, o anime se mostrou, além de lutas violentas e poderes, importantes valores como amizade e uma história pautada na rica mitologia grega, se tornando o maior ícone da animação japonesa no Brasil.

Pois bem, essa é a história sobre meu primeiro contato com animes. Agora, nós da Agência Joystick gostaríamos de saber da sua. Seja nos comentários aqui do blog, ou na postagem desse texto em nossas redes sociais, compartilhe com a gente sobre sua primeira e/ou mais marcante experiência com animação japonesa.

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